HDR – Fluxo de trabalho (workflow)
30 de novembro de 2009 – 3:11 | 5 Comentários

Tenho recebido inúmeros e-mails com vários questionamentos sobre o processo HDR (Hight Dynamic Range). A pior coisa que pode existir para esse processo em fotografia digital é a automação. Utilizando softwares como o Photomatix e …

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A tentação da pirataria

Enviado por Webmaster | 23 de dezembro de 2008 – 13:17 – – Imprimir artigo Imprimir artigo 6 Comentários

piratariaNão utilizo software piratas – o mais simples winzip do meu computador tem registro pago. Existem razões pessoais que me levam a agir dessa forma, mas nenhuma delas tem a ver com motivações diante de campanhas anti-pirataria. A maioria dos produtores de softwares vem adotando uma política que combina suporte eficiente e preços baixos, o que tem atraído os consumidores a registrarem seus produtos.
Há milhares de sites na Internet onde é possível baixar qualquer programa com cracks, patchs, números de serial, isso sem contar os torrents nas redes P2P.No Brasil não existe uma fiscalização eficiente no combate à pirataria e isso deixa os produtores furiosos. Então eu volto à velha questão dos preços e questiono se toda essa fúria, ao invés de ser canalizada para ações judiciais pouco eficientes e campanhas publicitárias idem, não fossem direcionadas para um custo acessível ao usuário.

O Photoshop, por exemplo, tem um preço internacionalizado e caro. O que justifica um pacote do Photoshop CS3 Extended custar R$ 4.467,00 (PC e Mac) e a versão CS4 Extended R$ 2.982,00? Não estou falando de versões de atualização – são versões full. O fato do CS4 estar sendo comercializado quase que pela metade do valor de seu antecessor me parece um bom sinal da Adobe, mas acredito que precisavam de mais agressividade nesse barateamento.

Pelo fato de não existir um concorrente à altura, a Adobe investe pesado no seu Photoshop e por trás dele existe uma legião de técnicos e até cientistas. Eu não tenho um DVD do meu Photoshop CS4, nem manual, nem caixinha bonita para ficar na estante. Fora os custos de distribuição física, impressão de manual, prensagem de DVD, o CS4 baixado e licenciado diretamente pela Internet tem o preço que tem hoje. O preço do CS3 que citei acima é médio em dezembro de 2008. Se você entrar em uma loja da FNAC (*) e menciono como exemplo a loja de Brasília, o pack de prateleira está custando R$ 4.999,00, uma diferença de mais de R$ 500 do que é vendido na Microsafe.

Não defendo a pirataria, afinal tenho o entendimento além de princípios pessoais que se é crime não compensa, mas também não vou ser hipócrita ao ponto de ignorar o que ocorre a minha volta. Parcelo no cartão, divido em prestações, negocio, mas licencio, e quem não tem condições de comprar uma licença, não tem outra opção? Claro que tem, on line, no camelô da esquina – o sistema falho e de controle inócuo propicia isso. E sem contar com as campanhas publicitárias contra a pirataria, dignas de escárnio. O quadro “Lan House”, encerrado no último domingo dia 21/12, exibido em rede nacional no Fantástico da TV Globo tem algo de paradoxal em sua existência. central-da-periferiaA todo momento a produção do programa se referiu aos fins e não aos meios. Nunca foi citado se alguma daquelas Lan Houses utilizavam software livre, mas a maioria mostravam que rodavam o Messenger, com cara de Messenger da Microsoft que roda no Windows. Vimos imagens do Microsoft Word, Excel, produtos da Microsoft que necessitam licença e pergunto na mais pura inocência: todos aqueles programas estavam licenciados? É muito difícil ceder à tentação da pirataria em comunidades carentes que querem, precisam e têm o direito de acesso à informação e à tecnologia. Ah! mas usar software pirata é crime, mas como você vai explicar para um garoto de uma comunidade pobre que para ele usar o editor de texto que todo mundo usa custa na versão mais “pobre” R$ 500,00?

Outro questionamento importante é que durante décadas o desenvolvimento do Windows, se é que podemos dizer que está totalmente desenvolvido, se deu em fóruns de usuários que utilizavam software piratas. Foram suas observações, reclamações aceitas pela Microsoft, além dos bugs inicialmente delatados por hackers (hoje existem empresas especializadas nisso) que foram corrigindo as várias versões, algumas catastrófricas como o Vista. Aliás o Vista não tem nada a ver com o intervenções e opiniões dos usuários e sim pressão da indústria de informática (placas mãe, processadores, placas de vídeo).
Havendo essa permissividade da Microsoft em não separar quando ouvia usuários com softwares piratas e autênticos poderíamos chegar a um meio termo. E isso está relacionado a custos. Com a Adobe não foi diferente ao criar fóruns de usuários para cada um de seus produtos sem distinguir quem tem registro do produto ou não, ou seja, todos participaram indiretamente do desenvolvimento de cada um deles, ora apontando falhas, bugs ou sugerindo funcionalidades.
open-sourceOs executivos da Adobe, da Microsoft e da Apple precisam rever seus conceitos para países potencialmente viáveis para grandes negócios e que tem características especiais. O Brasil é um deles. Programas voltados para comunidades carentes e barateamento do custo dos programas é uma boa iniciativa para diminuir ou acabar com essa pecha que junto com a China somos os países que mais falsificamos e pirateiam produtos. Há de se pesar uma regra básica de mercado que é a lei da oferta e da procura. Eu posso garantir que se os preços dos programas forem mais acessíveis a tendência será de uma procura maior para licenciamentos. Se não for assim, a tentação à pirataria é maior, mais convincente e vão sempre deixar os produtores de software chiando no vazio.

(*) – O Photoshop CS3 estava à venda na FNAC de Brasília pelo preço mencionado. Ao final do fechamento desse artigo não estava mais disponível.


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6 Comentários »

  • Kiko disse:

    Vc fez uma boa abordagem do assunto e confesso q não licencei meu PS porque realmente não tenho condições. Acho q a maioria das pessoas não fazem pelo mesmo motivo. parabéns pela coragem de tocar nessa ferida. 

  • Themis Ponzio de Rezende disse:

    Além de fotografar, também desenvolvo sistemas.
    Numa determinada época adquiri o DELPHI 4, versão full,
    pela qual paguei US$ 700,00. Fui gozado por alguns amigos
    que diziam que eu era bobo de comprar software original.
    Dois anos depois uma revista especializada distribuiu o mesmo
    software GRATUITAMENTE! Um daqueles meus amigos ligou-me
    e disse aquela célebre frase: NUM TI FALEI?
    Indignado, liguei para o suporte da Borland e recebi a seguinte
    resposta: o sr. nos desculpe, mas isso não vai mais acontecer.
    Durmam com uma respostas dessas. Daí pra frente é fácil
    concluir que NUNCA MAIS COMPREI…

  • Miguel Netto disse:

    Oi Themis,

    Essa experiência foi terrível, mas sem querer dar um de Poliana, também tem seu lado bom já que zilhares de pessoas puderam desenvolver seus programas e sistemas com o software gratuito. A parte ruim é que isso realmente desistimula os usuários a comprarem licenças e a sensação que você deve ter ficado de ter jogado 700 dólares no lixo. Gozação de amigo eu já nem conto mais porque também sou vítima disso. 

    Eu defendo que os preços dos softwares em geral precisam baixar a níveis razoáves e distintos. A Microsoft vende o pacote do Office 2007 (Home e Student Edition) por U$ 29 na China para tentar combater a pirataria. Aqui no Brasil o mesmo pacote pode ser encontrado com preços variando entre R$ 350 e R$ 199, ou seja, cada revendedor não se baseia em uma tabela, o que se caracteriza por uma verdadeira “zona” mercadológica. Em qualquer esquina custa de R$ 5 a R$ 10 o pacote profissional ou pode ser baixado gratuitamente nas redes P2P da vida.

     

     
  • Josinaldo disse:

    Gostei da sua posição em relação à pirataria…
    Também não licenciei o meu Photoshop, pois não tenho a menor condição financeira de fazê-lo! Se por acaso o preço da licença fosse mais acessível, bem como mais dentro da realidade brasileira, a coisa certamente seria outra.

    Concordo que é crime utilizar software não licenciado, mas vender à preços abusivos também é, e o governo não toma nenhuma atitude. Sei que um erro não justifica o outro, mas a balança deveria ser justa para os dois lados.

    Por outro lado, vejo que a popularidade dos softwares são devidos à facilidade de divulgação do programa nao-licenciado. Se não fossem os programas piratas muitas softhouses seriam totalmente desconhecidas…

    Queria que as coisas fossem diferentes, não me sinto bem utilizando softs piratas diante de meus filhos, mas não tenho outra opção. Se houvesse um preço mais acessível, certamente compraria original…

    Grato…

  • Miguel Netto disse:

    Josinaldo,

    Você tocou em um ponto importante que é a ação do Governo nessa Babel de interesses dos negócios com os softwares e licenciamentos. A relação entre os produtores e consumidores é injusta, como você diz com toda a razão, e o único caminho que as autoridades em nosso país apontam é o software livre.
    O Governo possui o seu portal Software Livre que tem como uma das metas principais “popularizar o uso do software livre”, mas menos de dez organismos federais adotaram o software livre no todo ou em parte. Ou seja, nem eles conseguem convencer eles próprios de que este é um caminho viável, porque além de outros fatores alheios aos interesses públicos, existem também barreiras tecnológicas. Imagine também quanto representa em termos monetários todas as repartições públicas federais, estaduais e municipais do executivo, legislativo e judiciário pagando licenças para a Microsoft, Borland e outros gigantes. Quem vai discutir preço final para o consumidor? 
    Eu defendo também a utilização de software livre para determinadas situações. O Linux como sistema operacional e para a nossa área o Gimp, ótimo manipulador de imagens, que já pode até rodar no windows, mas enquanto os principais produtores de softwares do mercado não encararem com responsabilidade, não o que já aí está, mas o que leva à ocorrência da pirataria, vamos conviver com isso por muito tempo, talvez até pela eternidade.  
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